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Técnicas de tratamento para complicações
com implantes injetáveis

Por Dr. Denis Valente
Centro Mundial de Bioplastia - Serviço de Cirurgia Plástica do Hospital Mãe de Deus Center
Instituto Universitário Camargo Pedroso, 2010


Nos últimos anos, a procura pelos implantes injetáveis definitivos aumentou significativamente. Infelizmente boa parte destes procedimentos vem sendo realizada por pessoas que não têm conhecimento da anatomia cirúrgica facial profunda e resultados desastrosos vêm ocorrendo. O objetivo deste trabalho é apresentar a experiência do autor em complicações relacionadas à aplicação de materiais infiltrativos.

MATERIAL E MÉTODO
Foi delineado um estudo de série de casos. Dividiram- se as complicações em quatro grupos: Grupo I- nódulos, Grupo II- granulomas, Grupo III- necrose em espessura total e Grupo IV - necrose em espessura parcial. A conduta frente às intercorrências foi individualizada de acordo com cada grupo: Grupos I e II: 4 ciclos de infiltração de 5-fluoracila, xilitol e triancinolona, associado à prednisona e alopurinol por via oral. Se não ocorresse remissão era indicada ressecção cirúrgica. Grupo III: Encaminhamento à colega com experiência em reconstrução. Grupo IV: Desbridamento químico e curativo diário.

RESULTADOS
Foram estudados 2 indivíduos cuja aplicação de material foi realizada pelo autor e 70 pacientes onde o implante injetável fora executado por outros médicos.
Das complicações observadas 74,9% foram de polimetilmetacrilato (PMMA), 22,3% de silicone líquido e 2,8% de poliacrilamida. Classificando as complicações verificou-se que: 55,6% nódulos, 36,0% granulomas, 2,8% necroses extensas e 1,4% de necrose em espessura parcial de lábio superior. Em relação ao tratamento: No Grupo I 14% dos pacientes melhoraram com o tratamento conservador e 86% ressecção cirúrgica. No Grupo II 77% dos pacientes obtiveram bons resultados com infiltração. No Grupo III segundo relato do colega as pacientes encontram-se satisfeitas com o resultado da reparação. No Grupo IV a paciente obteve um resultado satisfatório com a conduta conservadora.

DISCUSSÃO
Os preenchimentos são vistos com muita cautela em nosso meio. Ainda inexistem dados estatísticos acerca de sua incidência. Este estudo não foi delineado para definir índice de complicações, todavia demonstra uma tendência.
Pode ser constatado que os tratamentos mais efetivos são: Nódulos por se caracterizarem por um endurecimento em um dos locais de aplicação de preenchimento ocasionado por acúmulo local de produto ou hematoma organizado, o tratamento mais efetivo é a ressecção cirúrgica. Granulomas se diferenciam dos nódulos por apresentarem endurecimento em todas as áreas submetidas ao preenchimento, apesar de ser de etiologia desconhecida provavelmente seja de origem imunológica, o tratamento mais eficaz consiste em fragmentação destas áreas com microcânula de Nácul com imediata realização de 4 ciclos semanais de infiltração de 5-fluoracila, xilitol, álcool e triancinolona associado à prednisona e alopurinol por via oral. Grandes necroses decorrem de vasoespasmo, injeção intra-vascular com agulha ou compressão extrínseca gerando síndrome compartimental, seu tratamento é a reconstrução em serviços especializados. Já nas necroses parciais o desbridamento químico é a melhor escolha.
Existem hipóteses para justificar as complicações: Material impuro, uso incorreto, instrumental inadequado, entre outros. Estudos multicêntricos retrospectivos deverão ser realizados para buscar a etiologia das complicações.

CONCLUSÃO
Na experiência do autor as complicações relacionadas à aplicação de materiais infiltrativos ocorrem e devem ser tratadas com critério. Novos estudos devem ser realizados para que taxas de ocorrências sejam conhecidas.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1- Lemperle G, Rullan PP, Gauthier-Hazan N. Avoiding and treating dermal filler complications. Plast Reconstr Surg. 2006 Sep;118(3 Suppl):92S-107S. 2- Nicolau PJ. Long-lasting and permanent fillers: biomaterial influence over host tissue response. Plast Reconstr Surg. 2007 Jun;119(7):2271-86. 3- Nácul AM, Valente D. Complicações em bioplastia In: Bioplastia - A plástica interativa Ed. Santos, 2008. 4- Nácul AM, Valente DS. Complications after polymethylmethacrylate injections. Plast Reconstr Surg. 2009 Jul;124(1):342-3.